Cultura do empreendedorismo é tema de debate global
"No Brasil, não há a percepção de que é possível transformar conhecimento em receita", afirmou o representante da Fundação Dom Cabral, Fernando Dolabela.
A abertura da Semana Global do Empreendedorismo, em São Paulo, foi marcada pela reafirmação da necessidade de uma mudança de postura social que contemple o espírito da ação empreendedora nos ambientes acadêmico, empresarial e político.
Para o presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Paulo Okamoto, esse é um momento extraordinário para o País, porque o seu avanço econômico está oferecendo oportunidades de crescimento a quem antes não tinha chance de trabalhar. Participam do evento representantes de 90 países, no Museu Brasileiro de Escultura (Mube), até domingo, e em outras cidades do Brasil e do mundo.
Foram realizados, ontem, dois painéis para discutir os caminhos para empreender no País. No primeiro, "Empreendedorismo e Políticas Públicas", os participantes foram unânimes na afirmativa de que as políticas de inclusão do governo federal precisam ser aprimoradas com a eliminação de ações paternalistas, como a concessão das atuais bolsas, e que se deve modificar a cultura de distanciamento entre empresas e universidades.
"No Brasil, não há a percepção de que é possível transformar conhecimento em receita", afirmou o representante da Fundação Dom Cabral, Fernando Dolabela.
Emanuel Fernandes, ex-prefeito de São José dos Campos, relatou o projeto de ensino de empreendedorismo nas escolas públicas de seu município. Segundo ele, a falta de espírito empreendedor é uma questão cultural no Brasil e que só a união entre Estado, iniciativa privada e escola pode transformar esse quadro. Ele citou o programa da General Motors para as escolas da periferia do município paulista.
Telmo Costa, representante do Movimento Brasil Competitivo (MBC), resumiu a posição do grupo, citando que o governo deve incentivar as empresas a interagir com escolas e universidades.
No segundo painel, Emprendedorismo Sustentável, a conclusão foi a de que ainda não existe uma real cultura de sustentabilidade social e ambiental nas empresas, porque a maioria considera essas ações como despesas e não investimentos. O representante da consultoria Thymus Branding, Ricardo Guimarães, lembrou que a sustentabilidade entrou na cultura das empresas, mas seus representantes ainda a consideram como apenas uma solução para reduzir as cobranças por parte da sociedade. E não como um meio significativo de agregar valor aos produtos e serviços.
O grupo de discussão, formado por Altair Assumpção, do Grupo Santander Brasil, e pelo moderador Paulo Veras, da Endeavor, ressaltou a necessidade de se criar uma nova dinâmica entre empresas, seus funcionários e a sociedade.
O Sebrae e a Endeavor, entidade sem fins lucrativos que promove o empreendedorismo, são os organizadores do evento no Brasil.
Paula Cunha
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
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